Quero deixar aqui meu beijo pra Stênio Gardel. Que livro! Que experiência! A Palavra que Resta é mais do que uma história; é uma cicatriz que se transforma em flor, uma ferida que se fecha sem esconder o que foi vivido. Stenio Gardel nos entrega um romance que é puro sentimento, uma narrativa que nos toma pelas mãos e nos leva ao coração de Francisco, um homem que carrega no peito anos de silenciamento, dor e vergonha, mas que encontra, enfim, a coragem para se reencontrar.
A escrita de Stenio é um espetáculo à parte. Ele constrói o texto como quem aprende a escrever, e isso não é apenas um recurso estilístico, mas a própria essência da história: um homem que, depois de tanto tempo, se permite colocar no papel o que nunca foi dito. Essa escolha narrativa nos coloca dentro da cabeça de Francisco, sentimos suas inseguranças, seu medo e, acima de tudo, seu crescimento. Ele vai se fortalecendo a cada página, e nós, leitores, crescemos com ele.
A questão LGBT, tão central na trama, ainda é um peso cruel em muitos lugares. Em pleno século XXI, o amor entre pessoas do mesmo sexo segue sendo visto como doença, desvio ou falta de vergonha. O que Francisco viveu – a rejeição da família, a violência, a culpa imposta por uma sociedade que se recusa a enxergar a beleza do amor – ainda acontece todos os dias. Esse livro é uma denúncia silenciosa, mas, ao mesmo tempo, um abraço para todos que já se sentiram condenados por serem quem são.
Stenio Gardel nos lembra da força da literatura nordestina. O Nordeste, tantas vezes marginalizado, segue sendo um berço de histórias poderosas, de vozes que precisam ser ouvidas. Temos que valorizar nossos escritores, ler mais, indicar mais, falar sobre essas obras que nos atravessam e nos transformam.
Agradeço ao autor por esse presente. A Palavra que Resta é daqueles livros que ficam dentro da gente, que fazem morada. Todo mundo precisa ler essa história. Todo mundo precisa sentir essa verdade.
Até breve.

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