Sempre amei escrever. Digo isso sendo sobrevivente dos tempos do fotolog, e que tempo bom. Lembro que o meu fotolog era o meu xodó maior, o user era RETRATO NATURAL. Eu assinava /retratonatural como boa fotologer (não me lembro se era assim que nós chamávamos). Bem, meu fotolog era dedicado a postar fotos em preto e branco de Marilyn Monroe e escrever basicamente tudo o que vinha na minha mente. Eu gostava daquela internet que não éramos bombardeadas a cada minuto com milhões de informações e principalmente, opiniões que ninguém pediu. Sei que a geração da vez sempre vai falar que antigamente era melhor, “a gente podia ficar na rua sem medo da violência” e tantas outras frases que já ouvimos dos nossos pais, principalmente no carnaval. Mas veja que doido: eu estou aqui escrevendo na internet que um “lugar” que não é um lugar era melhor antigamente. Doido.
Mas aqui é pra ser um resumo dos últimos meses da minha vida. E estou escrevendo, ou melhor, digitando, com o meu filho de dois meses e meio dormindo no meu colo. Agora eu sou mãe, e esse é com toda a certeza o maior acontecimento da minha vida. Sendo como foi, é ainda mais importante estar com o meu bebê no colo. Ainda estou digerindo o meu parto, mas assim que minha cabeça estiver com tudo alinhado, eu volto aqui e coloco para fora. Contudo, eu agradeço por estar aqui presente.
Em abril, foi aniversário da minha grande amiga e mentora. Ela já se foi, e não tem um dia que não lembre dela. Tem pessoas que realmente marcam a nossa vida e a nossa alma. Sei como ela estaria feliz e mimando meu menino… e sinto falta de deixar cartinhas e pedir conselhos. Eram quase cinquenta anos de diferença de idade, o que tornavam esses conselhos sábios e carregados de experiência de vida. Lembrei dela e lembrei também de uma fala de Siriús Black: aqueles que amamos nunca nos deixam de verdade. E é com esse atestado de potterhead, deixo um beijo pra ela.
Falando em Harry Potter, passei no doutorado na UFPE com um projeto sobre “o menino que sobreviveu.” Hoje, estou pesquisando sobre as narrativas transmidiáticas presentes em HP orientado por uma das melhores pessoas e professoras que já conheci na minha vida adulta. Que sorte. Quer dizer, no momento estou de licença maternidade e minha pesquisa no momento é: como fazer o bebê dormir a noite toda. Mas em breve voltarei com mais sobre tudo isso do mundo acadêmico. Nesse momento, as prioridades são outras. Na verdade, a prioridade é uma pessoa pequena que está aprendendo a gritar e colocar a mão na boca.
Meus dias hoje se resumem a cuidar e deixar meu bebê de bucho cheio, limpinho e feliz. Tentar criar uma rotina com um bebê não é fácil e estou cansada de ver tantos vídeos na internet como se fosse algo normal um bebê ter as horas e movimentos marcados, como se fosse um relógio de adulto. É muito legal ver muitas mães doando seu tempo pra compartilhar dicas e o que deu ou não certo pra elas, mas muitas vezes isso gera uma ansiedade tremenda na gente. A mãe por si só já é insegura, imagina então uma mãe que nunca teve contato com um recém-nascido na vida. Essa sou eu. Mas a boa notícia é: estou indo bem e está dando tudo certo.


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