A PALAVRA QUE RESTA

2 de maio de 2025

Quero deixar aqui meu beijo pra Stênio Gardel. Que livro! Que experiência! A Palavra que Resta é mais do que uma história; é uma cicatriz que se transforma em flor, uma ferida que se fecha sem esconder o que foi vivido. Stenio Gardel nos entrega um romance que é puro sentimento, uma narrativa que nos toma pelas mãos e nos leva ao coração de Francisco, um homem que carrega no peito anos de silenciamento, dor e vergonha, mas que encontra, enfim, a coragem para se reencontrar.

A escrita de Stenio é um espetáculo à parte. Ele constrói o texto como quem aprende a escrever, e isso não é apenas um recurso estilístico, mas a própria essência da história: um homem que, depois de tanto tempo, se permite colocar no papel o que nunca foi dito. Essa escolha narrativa nos coloca dentro da cabeça de Francisco, sentimos suas inseguranças, seu medo e, acima de tudo, seu crescimento. Ele vai se fortalecendo a cada página, e nós, leitores, crescemos com ele. A questão LGBT, tão central na trama, ainda é um peso cruel em muitos lugares. Em pleno século XXI, o amor entre pessoas do mesmo sexo segue sendo visto como doença, desvio ou falta de vergonha. O que Francisco viveu – a rejeição da família, a violência, a culpa imposta por uma sociedade que se recusa a enxergar a beleza do amor – ainda acontece todos os dias. Esse livro é uma denúncia silenciosa, mas, ao mesmo tempo, um abraço para todos que já se sentiram condenados por serem quem são.

Stenio Gardel nos lembra da força da literatura nordestina. O Nordeste, tantas vezes marginalizado, segue sendo um berço de histórias poderosas, de vozes que precisam ser ouvidas. Temos que valorizar nossos escritores, ler mais, indicar mais, falar sobre essas obras que nos atravessam e nos transformam. Agradeço ao autor por esse presente. A Palavra que Resta é daqueles livros que ficam dentro da gente, que fazem morada. Todo mundo precisa ler essa história. Todo mundo precisa sentir essa verdade. Até breve.

Um compilado dos últimos anos


Sempre amei escrever. Digo isso sendo sobrevivente dos tempos do fotolog, e que tempo bom. Lembro que o meu fotolog era o meu xodó maior, o user era RETRATO NATURAL. Eu assinava /retratonatural como boa fotologer (não me lembro se era assim que nós chamávamos). Bem, meu fotolog era dedicado a postar fotos em preto e branco de Marilyn Monroe e escrever basicamente tudo o que vinha na minha mente. Eu gostava daquela internet que não éramos bombardeadas a cada minuto com milhões de informações e principalmente, opiniões que ninguém pediu. Sei que a geração da vez sempre vai falar que antigamente era melhor, “a gente podia ficar na rua sem medo da violência” e tantas outras frases que já ouvimos dos nossos pais, principalmente no carnaval. Mas veja que doido: eu estou aqui escrevendo na internet que um “lugar” que não é um lugar era melhor antigamente. Doido. 

Mas aqui é pra ser um resumo dos últimos meses da minha vida. E estou escrevendo, ou melhor, digitando, com o meu filho de dois meses e meio dormindo no meu colo. Agora eu sou mãe, e esse é com toda a certeza o maior acontecimento da minha vida. Sendo como foi, é ainda mais importante estar com o meu bebê no colo. Ainda estou digerindo o meu parto, mas assim que minha cabeça estiver com tudo alinhado, eu volto aqui e coloco para fora. Contudo, eu agradeço por estar aqui presente. 

Em abril, foi aniversário da minha grande amiga e mentora. Ela já se foi, e não tem um dia que não lembre dela. Tem pessoas que realmente marcam a nossa vida e a nossa alma. Sei como ela estaria feliz e mimando meu menino… e sinto falta de deixar cartinhas e pedir conselhos. Eram quase cinquenta anos de diferença de idade, o que tornavam esses conselhos sábios e carregados de experiência de vida. Lembrei dela e lembrei também de uma fala de Siriús Black: aqueles que amamos nunca nos deixam de verdade. E é com esse atestado de potterhead, deixo um beijo pra ela.



Falando em Harry Potter, passei no doutorado na UFPE com um projeto sobre “o menino que sobreviveu.” Hoje, estou pesquisando sobre as narrativas transmidiáticas presentes em HP orientado por uma das melhores pessoas e professoras que já conheci na minha vida adulta. Que sorte. Quer dizer, no momento estou de licença maternidade e minha pesquisa no momento é: como fazer o bebê dormir a noite toda. Mas em breve voltarei com mais sobre tudo isso do mundo acadêmico. Nesse momento, as prioridades são outras. Na verdade, a prioridade é uma pessoa pequena que está aprendendo a gritar e colocar a mão na boca. 

Meus dias hoje se resumem a cuidar e deixar meu bebê de bucho cheio, limpinho e feliz. Tentar criar uma rotina com um bebê não é fácil e estou cansada de ver tantos vídeos na internet como se fosse algo normal um bebê ter as horas e movimentos marcados, como se fosse um relógio de adulto. É muito legal ver muitas mães doando seu tempo pra compartilhar dicas e o que deu ou não certo pra elas, mas muitas vezes isso gera uma ansiedade tremenda na gente. A mãe por si só já é insegura, imagina então uma mãe que nunca teve contato com um recém-nascido na vida. Essa sou eu. Mas a boa notícia é: estou indo bem e está dando tudo certo. 




Menos feed, mais vida: um lembrete que meu filho me trouxe

21 de abril de 2025


Tenho pensado muito sobre o tempo. Sobre como a gente perde horas preciosas nas redes sociais, como se aquilo fosse descanso ou distração. Entramos “só pra dar uma olhadinha” e, quando percebemos, lá se foi uma hora inteira rolando o feed, sem nem saber direito o que vimos. E, no fundo, é exatamente isso que eles querem: que a gente se perca ali. Mas estou me policiando. De verdade. Tentando viver com mais presença, com mais intenção. Porque a vida tá acontecendo aqui fora e, às vezes, a gente nem percebe.


João, meu filho, chegou pra me lembrar disso. Que o tempo é agora. Que desacelerar é difícil, sim, mas também é necessário. E que estar presente, de verdade, é uma das melhores sensações do mundo. Minha licença maternidade está sendo a primeira vez na vida em que realmente paro. Em que não tenho mil responsabilidades me puxando de um lado pro outro. Agora, minha única grande missão é João feliz, bem e de bucho cheio. E quer saber? Isso é transformador.


Voltei a ler com mais frequência. Cada página me devolve um pedacinho de mim. Um tempo mais meu. Um tempo real. Um tempo fora da tela. As redes sociais vão continuar existindo. Mas o que realmente importa está aqui, do lado de cá da tela. Tô tentando. Por mim. Por João. E, aos poucos, tenhoc redescoberto o quanto isso é bonito.


AQUI ESTOU EU DE NOVO E MAIS UMA VEZ

25 de março de 2024

 

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/29554941282711703/

    A última vez que escrevi aqui foi em 2022. Tinha esquecido desse espaço que eu sempre amei e foi tão meu. E eu entendo e não estou de mal de mim ou comigo por esse tempo que estive fora. É normal estar fora de si um pouco e depois querer voltar como se nada tivesse acontecido e você simplesmente segue o baile.


    Tanta coisa aconteceu nesses últimos meses, coisas que mudaram e coisas que permaneceram semelhantes mas nada está igual. Perdi pessoas e ganhei também. Ganhei amigas a poucos minutos de distância que sempre sonhei na vida adulta. Mulheres que estão a literalmente 5 minutos de distância de mim e que estão para mim nesses tempos complicados e cansados. Aos 30 anos eu tenho amigas que posso ir encontrar andando, depois de ter a minha grande amiga que morava na rua atrás da minha casa em Brasília. Mas feliz. Isso é o mais importante.


    Muitas vezes começo a escrever aqui com um pensamento e no andar das letras acabo escrevendo sobre coisas que não havia pensado. Na verdade, digitando. Sim, escrever é o movimento que fazemos com o lápis ou caneta traçando aquela letra, bonita ou não tão bonita assim. Tem coisas que tenho aprendido nesses novos tempos com novas funções. Muita coisa mudou nesses últimos meses, já comentei por aqui, certo?


    E a verdade é que a mudança assusta. Isso é o maior clichê do mundo mas também é a maior verdade que temos na sociedade atual. Mudar sacode a gente de uma maneira que a gente nem consegue expressar com tanta clareza. E eu mudei.


    Eu estou no meu terceiro semestre do doutoramento, estou coordenando um novo setor do colégio em que trabalho (agora no pedagógico, e isso me trouxe imensas responsabilidades e ainda mais demandas pra minha vida), meu marido agora está em Salgueiro-PE e continuamos no esquema quase namorados (nos vemos a cada quinze dias) e posso dizer que a saudade é tão grande quanto os mais de 600km que nos separam. Eu estou lendo mais e estou em um clube de leitura com mulheres fantásticas e nós temos sábados e domingos incríveis. Eu estou mais segura e agora posso dizer que sou uma grande motorista pelas ruas do grande Recife. Eu estou sabendo estar sozinha, mas isso é papo para outro dia.


    A verdade é que quis voltar para o blog. Eu quero escrever. Eu quero escrever mais e registrar mais o que penso. E mais uma vez para mim e para as pessoas queridas que eu quero que leiam e também para quem chegou por aqui não sei como. 


    Eu agradeço por voltar. 

 
Ontem Escrevi © Todos os direitos reservados :: voltar para o topo :: design e código gabi